20 janeiro 2006

Craques de A a Z


Craques de A a Z

Elson, goleiro de Venha Ver, Rio Grande do Norte, era cego. Mas compensava es­sa falta com sua audição extremamente apurada. Elson defendia de ouvido, escutando o assobio da bola no ar. Du­rante algum tempo ele fez muito sucesso, pois pressentia os efeitos da bola e não havia problema se sua visão estava encoberta. Porém, um dia, as torcidas adversárias perceberam a origem de seu talento e começaram a levar apitos para o campo. Elson teve que mudar de profissão. Hoje faz armações de óculos em Vista Alegre, interior de Goiás.

Felisberto, apesar do nome, era um infeliz, um pé-frio, um caipora. Nunca ganhou uma aposta e nem há loteria ou carteado em que tenha se dado bem. Até no par ou ímpar era um fracasso. Para ele, todos os jogos eram de azar. Porém, Felisberto era um excelente meia-direita. Fazia belos lançamentos, corria com elegância e driblava com facilidade. Sob seu comando, o Ferradura Atlético Clube invariavelmente chegava às finais da bela cidade de Xangrilá, Rio Grande do Sul. Mas aí, é claro, sempre perdia. Depois de 12 vice-campeonatos, os jogadores já estavam cansados do pé-frio de Felisberto e, dessa vez, antes que en­trassem em campo, decidiram que seu principal atleta ficaria no banco. Felisberto protestou, mas os argumentos e as cordas o fizeram aceitar a reserva. O Ferradura, é claro, conquistou a taça. E Felisberto, que nem tocara na bola, foi aclamado como o grande responsável pela vitória. Hoje, sempre que olha para aquele solitário troféu em sua estante, uma lágrima rola por sua face. E nin­guém sabe se é de tristeza ou de alegria.

Gancho, o goleiro, tinha esse nome por um motivo justo: em vez de mão, na ponta do braço direito possuía um gancho. Por causa disso ele jamais largava uma bola, pois elas sempre ficavam presas ao seu agudo espeto. O problema é que Gancho dava muito prejuízo ao seu clube, o Nova Iorque do Maranhão, e assim acabou sendo despedido. Para não se afastar totalmente do futebol, ele tentou ainda ser roupeiro, mas rasgava os uniformes, e massagista, mas rasgava os jogadores. Numa última tentativa foi ser juiz. Mas morreu em sua partida de estréia, quando, ao tentar puxar um cartão com a mão errada, o vermelho de seu sangue misturou-se ao do cartão.
(Blog do Torero)

[Ilustração do iraniano Hayat Roshanai]

Robson

3 Comments:

Blogger Reggaço said...

Essas são estórias veridicas? bizarrisses a parte eu daria tudo para conhecer esse goleiro cego! :)

abraço!

Ronaldo

22 janeiro, 2006 19:19  
Anonymous Anônimo said...

Bizarrice mesmo é o que vamos ver na quarta feira à noite, na pelada do Embu.
Imperdível!!!
Robson

22 janeiro, 2006 22:20  
Blogger Reggaço said...

Como ja disse anteriormente e reforço aqui...pelada mais bonita que essa só a Fernanda lima

23 janeiro, 2006 00:44  

Postar um comentário

<< Home