27 dezembro 2005

Walter Batata

“Primeiro eu queria dizer que eu estou cansado... sem voz... é que foi “pauleira”, mas foi bem legal a turma de hoje... A diferença do ambiente, da sala... a atividade lá embaixo e a atividade aqui em cima... A gente só quer isso, uma salinha pequena como essa, mas que tenha um pouco de paz. Lá embaixo pode ser pequena também, não tem problema.
Já foi bem diferente. Esse grupo ontem foi um pouco mais pesado, foi um pouco mais desgastante e eles estavam um pouco mais resistentes. Hoje ainda houve resistência no início... a coisa da piadinha.... fazer piadinha enquanto os outros estavam se apresentando... Houve rodada de apresentação dos alunos novos.
Mas teve uma coisa “muito louca”, que na hora das atividades, a coisa “rolou” nos grupos. É óbvio que não é a mesma proporção das turmas da tarde. Lógico que ainda há grupos que tem alguns jovens mais e outros menos participativos, isso é natural. É a primeira produção coletiva deles. Mas “rolou” uma coisa muito legal. Foi que algumas falas dentro dos grupos, de algumas pessoas, conseguiram chamar a atenção dentro daquele pequeno grupo. E eram falas que vinham mostrar que... – eu lembrei do Joari, que o Joari falou à tarde que eles é que vão mostrar para a gente que grupo é esse, quais são as necessidades... E teve uma coisa de eles mostrarem assim de maneira gritante as dificuldades deles, a questão do emprego, a questão da inclusão social e a dificuldade... Qual a primeira dificuldade deles? Isso foi o Tiago que falou, um estudante. A primeira dificuldade é o dinheiro, para sair de casa, para ir buscar emprego, o dinheiro da passagem. E “rolaram” uns papos assim, que foram representados nos cartazes. Esse papo rolou na socialização, no grupão, e houve assim uma coisa de a garotada prestar a atenção. Esse grupo, ao contrário do que eu estou ouvindo dos outros grupos, é um grupo que parece ter um pouco mais de noção do que eles estão fazendo aqui, apesar de no início ter aquela coisa de “Não, eu não sei o que eu estou fazendo aqui. Isso aqui, eu caí aqui de pára-quedas nesse curso.” Mas as falas são muito positivas.”

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

A reflexão do Jura, agora tornada imortal na voz do Batata, mais a da Tereza sobre a relação entre a nossa intencionalidade e as necessidades apresentadas pelos nossos cursistas, mais um padre-nosso em memória de Paulo Freire e do fundamento dialógico de uma educação emancipadora, me lembraram de uma lição pedagógica de Mark Twain: “Quem só tem martelo pensa que tudo é prego.”
Robson.

28 dezembro, 2005 01:03  

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